Fazendo os barbas

Por Masili.

Esses discos-tributo normalmente têm sabor de salsicha em lata. Daquela que você compra no supermercado porque a embalagem é bonitinha, e a foto tem cara daquele grelhado inesquecível. Aí você abre, experimenta e vê que está mesmo é engolindo comida de cachorro. Dali pra nunca mais é um pulinho. Pois é… a gente já sabe que nem tudo que parece é, e de uns tempos pra cá eu ouvi sobre um tal tributo que estavam organizando em homenagem ao ZZ Top. Um arrepio percorreu minha espinha.

Sim, pois homenagear ao ZZ é mais ou menos como fazer cover do Ramones: parece fácil, mas uma derrapada e a coisa fede de um jeito inaceitável. Os caras são mestres de riffs, melodicamente monstruosos e com uma personalidade que exige - além de diversão - muito respeito. Juntar tudo isso sem parecer cópia, e ao mesmo tempo conseguindo manter a essência com alguma dignidade e identidade é tarefa daquelas bem cabeludas. E de repente, cai aqui o disco na minha mão.

Grata surpresa.

Os nomes não parecem tão gabaritados assim logo de cara (sim, metade dos nomes da capa parecem um tanto desconhecidos ou encostados), mas a coisa flui assim que aperta-se o “play”. The M.O.B. é um projeto que reúne Steven Tyler, Mick Fleetwood (Fleetwood Mac) e Jonny Lang, e é ele o responsável pela fortíssima abertura com “Sharp Dressed Man”. Resultado óbvio: uma puta versão. O mesmo acontece com “Gimme All Your Lovin’” nas mãos do Filter. Em ambos os casos, as bandas preocuparam-se em preservar as principais características desses dois hinos - no caso do Filter, com um pouco mais de ousadia. Grace Potter & The Nocturnals versionam “Tush”, e um vocal feminino cai como uma luva nessa maravilha.

"Legs" aparece numa versão do Nickelback, devidamente bem cuidada - uma música que não há o que se errar, diga-se de passagem. É mais ou menos como revisitar “Rock N’ Roll All Nite” ou “Smoke On The Water”. O sempre ótimo Wolfmother carrega “Cheap Sunglasses” numa das melhores versões do disco - certamente por ter bebido e muito da fonte dos barbudos. A melhor música do ZZ (minha opinião) chega com o excelente Duff McKagan’s Loaded: “Got Me Under Pressure” permanece devidamente destruidora, com a devida pegada punk da banda. O ex-baixista do Guns (e guitarrista do Loaded) arrebenta e honra o trio.

"Beer Drink" é cometida pelo ótimo Coheed and Cambria, e eu fico feliz de ver que algumas bandas permanecem sem medo de deixar as guitarras mixadas lá em cima. Mastodon toca “Just Got Paid” numa versão que em muito lembra as músicas do “Revenge”, do Kiss. Da mesma forma, engrossa o caldo, que logo é jogado pelo ralo no grande erro do disco.

Gostaria de saber quem é o gênio mercadológico que sugere Wyclef Jean pra um disco/tributo ao ZZ Top. “Rough Boy” é assassinada a golpes de colher de chá, numa batida eletrônica ridícula. Equivale a chamar Carlinhos Brown pra abrir um show do Metallica. Pule a faixa sem medo…

…e caia na ótima versão do Daughtry para “Waitin’ for the Bus”. Versão copy/paste mesmo, mas bem boa, que com certeza orgulhou os senhores. E fechamos o disco com a mais do que necessária “La Grange”, numa versão matadora de Jamey Johnson. Não é qualquer Zé Mané que toca esse clássico, e ela ficou em ótimas mãos.

No geral, um bom disco mesmo, até um pouco acima da média nesse universo de homenagens marqueteiras que a gente vive esbarrando por aí. ZZ Top é banda pra se respeitar e muito, e assim sendo, fica feito o dever de casa. Não é obrigatório, mas é um ótimo passatempo.

(Source: Wikipedia)

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Oct 25
2:14 pm
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A triangulação está completa: Allan, Masili e Mel. Juntos, falando sobre música. Sem rótulos.

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