Irish blood. English heart.
Por Masili.
Enquanto o país todo espera a chegada do Foo Fighters, eu pego carona numa onda um pouco diferente - uma marolinha, comparada ao tsunami de Dave Grohl, já diria nosso ex-presidente, com o retorno ao país daquele topetudo esquisitão que não saía das rádios de jeito nenhum durante os já bem distantes anos 80.
Minha ansiedade atende pelo nome de Steven Patrick Morrissey, o lendário vocalista do Smiths, que daqui a pouco desembarca por aqui. Um cara que nem todo mundo gosta, mas cuja obra exige no mínimo respeito. Eu mesmo não posso dizer muito sobre seu período de banda, porque quando criança eu detestava Smiths. Quem crescia ouvindo Guns e Metallica dificilmente se afeiçoava à banda e às suas co-irmãs, como Echo & The Bunnymen e afins. Nesses últimos tempos, notei comentando com alguns amigos que de fato a obra do rapaz exige tempo e dedicação para que o carinho floresça. Sim, Morrissey é artista pra gente velha.
Porque quando o tempo passa e você passa a buscar na música algo mais do que simplesmente ritmo - seja compreendendo uma letra, entendendo um álbum e um contexto, ligando pontos - algumas coisas passam a fazer mais sentido e a importância e profundidade de uma obra abrilhantam quem a compõe. No meu caso específico, a descoberta veio quando do lançamento de Vauxhall And I (1994), cujo single “The More You Ignore Me, The Closer I Get” embalou muito do que acontecia (e aconteceria) no meu peito dali em diante. A poesia de uma voz calma mas forte, com atitude, parecia casar com cada instante de revolução que o amor exige. Havia ali melancolia, sonho, desejo, ataque e defesa, encapsulados em três minutos e quarenta e cinco segundos de sonho acordado. Uma vertente completamente alheia ao grunge (que dominava os rádios e a então “real” MTV), que te transportava pra tempos mais puros e adequados àquilo que a agressividade não supria.

O retorno à obra do sujeito fazia-se então necessário, e redescobrir os Smiths foi questão de tempo. Mas não, não se engole facilmente um som tão claramente datado (no que se diz respeito à melodia, que mais do que conhecida, de certa forma rotulou toda uma geração), mas que agora - completado em seus contextos - parecia fazer muito mais sentido, e assim sendo, foi reconsiderado, reexperimentado e ganhou novos sabores. A admiração apenas aumentou.
E então vieram outros álbuns, igualmente fortes e significativos, mas pouco difundidos. Comparando com outros artistas, Morrissey perdeu destaque de mídia, mas não seu público, nem sua principal qualidade: a performance, apoiada e sua voz absolutamente única. Prova disso é seu último (e já com 3 anos) disco, Years Of Refusal (2009), cuja energia em nada fica devendo ao disco de quinze anos antes, que foi capaz de despertar sentimentos parecidos sempre que uma nova música vem à tona.
Envelhecer com dignidade, sendo criativo e não perdendo sua essência. É possível.
(Source: Wikipedia)














